sábado, 26 de janeiro de 2019

Como um adorável cão²

~Au, esse é o meu jeito de dizer Oi.

Faz tempo desde que eu olhei pra mim mesmo desta forma, com meus olhinhos castanhos eu o observo passando para lá e para cá, enquanto estou deitado na minha almofada preferida brincando com o meu brinquedo favorito enquanto você assiste algo na tv ou apenas fica brincando com os pés nas minhas costas fazendo carinho e mexendo em seu celular.

Eu fico em casa o dia inteiro apenas esperando você chegar para me encher de beijos, amo pular no seu colo mesmo que esteja molhado de suor e dizendo: -"sai sai sai"... eu fico realmente alegre que mal consigo conter minha cauda de tanta felicidade...

Mas ultimamente estou mal de alguma forma, sinto outros cheiros em você, outros olhares pela janela a meia luz, mente perdida e despercebidamente distante, a atenção para mim parece mecânica, parece algo obrigado, sei que me ama, que sou seu príncipe peludo e babão, que faria qualquer coisa por mim, mas sinto esse vale entre nossas almas de algum jeito estranho, pode ser só minha impressão ou só por que eu não sei o que esta acontecendo dentro da minha cabeça.

Ontem eu estava quieto, mais do que o normal, já não tinha pique e estava cansado, muito calor sabe? é ruim para um pequeno cão como eu que é muito sensível a altas temperaturas e você chegou alegre e eu logo pulei em você, foi bem divertido, comemos juntos e você se sentou com seu celular e eu comecei a morder meu brinquedo preferido, mas olha que situação! suas mãos em mim me assustaram e me deixaram esquisito e lati para você, você ficou com medo e foi para o seu quarto dormir enquanto eu fiquei na minha almofada, senti sua falta muito fortemente e olhei você pela abertura e já não estava mais disponível, você esqueceu a porta aberta então eu corri, corri e corri o mais longe que eu pude para fugir daquela sensação, aquela sensação sufocante que me esmagava entre as paredes de que de alguma forma machuquei o meu dono e agora estou perdido, não sei voltar para casa... esta frio e chuvoso e eu não sei voltar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Lament of Innocence

Deixo aqui o ultimo relato, farto e cansado escrevo... O caminho pelo deserto foi iniciado, não há uma sombra que me puxe novamente para os elísios, há apenas o sol calcinante e duro sobre os ombros, o manto rasgado levando a espada da convicção de meu irmão e meu livro de verdades eu a passos lentos caminho com sede, fome, solidão, desespero, agonia e sofrimento diante de um futuro incerto onde talvez, talvez haja alguma esperança até que eu me deparei com um oásis, um oásis coberto de verde e de harmonia, onde pude descansar por um período, onde eu não mais fugiria e eu aceitaria aquele lugar como meu lar, mas o sol, ah o sol, calcinou novamente sobre minha cabeça e de repente eu estava na beira do meu próprio abismo profundo e vazio, aguardando para me jogar nele, ou que o destino me empurrasse de forma gentil rumo ao infinito. Mas quando me dei conta, eu percebi o mundo em que eu estava vivendo, contemplando a infinitude, e comecei a pensar no que aconteceria, se eu cruzasse essa linha tênue, onde eu poderia ser e fazer o eu quisesse da forma que eu quisesse, então...o abismo começou a ser preenchido com meus pensamentos e se tornou tão pequeno que logo aquilo não significava mais nada pra mim. Então neste dia, eu me abdiquei da humanidade que ainda restava em mim, não de ser cruel, mas de não fazer mais parte desse universo, não porque ele é complicado, e sim por ele ser infinito, e sendo infinito, eu poderia caminhar e desfrutar dele, pois não há nada que pode impedir isso, em nenhum momento.Pensei no meu futuro, e vi as coisas boas que eu poderia fazer, família, sucesso e amigos... todos os desejos mais puros, porém, logo depois eu pensei que isso tudo não possuía sentido algum, para alguém que já não se importa. O mundo se tornou tão pequeno, e o que preenche ele...se tornou mais ainda. Mas eu não me esqueci do que sou e do que sou feito e os meus limites, por isso em breves momentos eu me encaixo nesse universo e consigo sentir coisas boas e ruins, pois infelizmente eu necessito, assim como todo o ser humano. Mas minha mente e espírito não fazem mais parte daqui. Depois deste dia o mundo é apenas o mundo, e eu apenas faço parte dele. Não quero família, sucesso ou amigos, pois pra mim nada mais possui um nome ou conceito, tudo é apenas um universo, e eu apenas contemplo e me desfruto do mesmo, não seguir mais padrões ou fazer parte deles. Eu apenas me sinto bem em pensar que tudo é infinito, em suas complexidades ou simplificações. Eu ainda sou jovem, e vou poder desbravar muitos outros universos, mas no momento...quero apenas caminhar em meio ao cosmos e aceita-lo.